Duas marcas no dorso da mão, do mesmo tamanho e quase da mesma cor. Uma delas é queratose actínica: lesão pré-maligna, produzida por sol acumulado ao longo de décadas, que pode evoluir para carcinoma espinocelular. A outra é queratose seborreica: benigna, sem potencial de virar câncer, capaz de permanecer ali o resto da vida sem consequência nenhuma.
A semelhança de nome é coincidência de nomenclatura. "Queratose" significa apenas espessamento da camada de queratina — o que está por baixo é completamente diferente em cada uma. E a diferença importa: confundir uma lesão pré-maligna com uma lesão benigna atrasa diagnóstico; confundir a benigna com a pré-maligna leva a tratamento desnecessário.
Este texto reúne o que separa as duas na prática — causa, textura, cor, borda, local, evolução e conduta — e explica por que essa separação não se faz por foto, nem por comparação com imagem de internet, nem a olho nu por quem não examinou a pele de perto. A avaliação é presencial, com dermatoscopia, e em parte dos casos com biópsia. Não existe atalho para isso, e o texto abaixo não é um.
Queratose actínica: a marca do sol que se acumulou por décadas
A queratose actínica (também chamada de queratose solar) é a lesão que aparece na pele que recebeu radiação ultravioleta ao longo da vida inteira. Não é o sol da semana passada: é a soma das horas de exposição desde a infância, incluindo as que ninguém contabiliza — o trajeto a pé, a espera no ponto, o almoço na calçada, a caminhada na orla, os anos de trabalho ao ar livre.
O mecanismo é bem descrito: a radiação UVB provoca dano direto no DNA dos queratinócitos, incluindo mutações no gene TP53, que é justamente o gene responsável por interromper a divisão de células defeituosas. Quando esse freio falha em uma população de células, elas passam a se multiplicar de forma desorganizada dentro da epiderme. A queratose actínica é a expressão visível desse processo — por isso muitos autores a descrevem não como "pré-câncer", mas como um carcinoma espinocelular em estágio inicial, restrito à epiderme.
O que se vê e se sente:
- Tamanho pequeno — em geral de 2 a 6 mm, embora placas maiores existam, principalmente em couro cabeludo e antebraço.
- Base avermelhada ou cor da pele, com escama seca aderente por cima. Algumas são pigmentadas e ficam acastanhadas, o que aumenta a confusão com mancha benigna.
- Borda mal definida — a lesão se dissolve na pele ao redor, sem contorno nítido. Você não consegue dizer com precisão onde ela termina.
- Superfície áspera, com textura de lixa fina. É o sinal mais característico e o mais difícil de transmitir por imagem.
- Comportamento intermitente — descama, some por algumas semanas, volta no mesmo lugar. Esse ciclo de "sarou e voltou" é típico e costuma ser interpretado erradamente como pele seca.
- Sintomas discretos — ardência, prurido ou sensação de repuxar, sobretudo depois de exposição solar.
As áreas típicas são as que recebem sol sem interrupção ao longo da vida: face (testa, têmporas, nariz, malar), pavilhão auricular, couro cabeludo em quem tem calvície, dorso das mãos, antebraços, colo e lábio inferior. A lesão do lábio inferior tem nome próprio — queilite actínica — e merece atenção específica, porque o carcinoma que surge no lábio tem comportamento mais agressivo do que o de outras áreas fotoexpostas.
Um dado que ajuda a entender a lógica clínica: a queratose actínica raramente aparece sozinha. Quem tem uma costuma ter várias, algumas visíveis e outras ainda não. A conduta, por isso, quase nunca se limita a "tirar aquela ali".
Queratose seborreica: a lesão benigna que parece grudada na pele
A queratose seborreica é um dos tumores benignos mais comuns da pele. Não tem relação direta com exposição solar como causa principal, aparece também em áreas cobertas e tem forte componente de idade e de história familiar: é frequente que a pessoa reconheça exatamente as mesmas lesões nos pais e nos irmãos. Sua frequência aumenta de forma acentuada com o passar das décadas, e em faixas etárias mais avançadas é raro encontrar quem não tenha ao menos uma.
O aspecto clássico é descrito na literatura como "colada" — a impressão de que alguém pingou cera na pele e deixou secar ali por cima:
- Aspecto sobreposto, com relevo que se destaca do plano da pele. Parece aplicada, não infiltrada.
- Borda bem delimitada — dá para contornar a lesão com o dedo e dizer exatamente onde ela começa e termina.
- Superfície cerosa, opaca ou verrucosa, muitas vezes com pequenos pontos escuros visíveis mesmo sem lente.
- Cor variável, de bege claro a marrom-escuro e até preto — e é justamente a lesão preta que costuma assustar mais, embora seja benigna.
- Tamanho amplo, de 2 mm a mais de 2 cm, com crescimento muito lento ao longo de anos.
- Localização generalizada — tronco, dorso, colo, face, pescoço, abaixo das mamas, região inguinal. Inclui áreas que nunca viram sol.
Ao toque, a queratose seborreica tende a ser lisa e macia, ou francamente verrucosa e destacável na borda — mas não tem a aspereza fina e seca da queratose actínica. Ela também não segue o ciclo de descamar e voltar; quando descama, é porque foi traumatizada por roupa, alça de bolsa, cinto ou barbeador.
Duas ressalvas honestas sobre a lesão benigna:
- Irritação por atrito é comum. Uma queratose seborreica em local de fricção pode inflamar, ficar vermelha, sangrar e doer. O quadro assusta e muda o aspecto da lesão, o que exige reexame — inflamada, ela pode passar a se parecer com o que não é.
- Surgimento súbito de muitas lesões merece investigação. O aparecimento abrupto de dezenas de queratoses seborreicas em pouco tempo, sobretudo com coceira, é descrito como sinal de Leser-Trélat e já foi associado a doenças internas. É raro e discutido na literatura, mas é o tipo de padrão que muda a condução da consulta.
Tabela: actínica, seborreica e carcinoma espinocelular inicial
A tabela compara as duas queratoses e acrescenta uma terceira coluna que raramente aparece nesse tipo de comparação, mas que é a razão de o assunto importar: o carcinoma espinocelular em fase inicial, que é justamente o desfecho que se quer evitar e que pode se confundir com os dois quadros anteriores.
| Característica | Queratose actínica | Queratose seborreica | Carcinoma espinocelular inicial |
|---|---|---|---|
| Natureza | Pré-maligna (displasia de queratinócitos na epiderme) | Benigna, sem potencial de malignização | Maligna, com invasão além da epiderme |
| Causa principal | Radiação ultravioleta acumulada por décadas | Idade e predisposição familiar; sol não é a causa principal | Dano actínico crônico; muitas vezes surge sobre queratose actínica prévia |
| Textura ao toque | Áspera, seca, tipo lixa fina; sente-se antes de se ver | Cerosa, lisa ou verrucosa; sensação de placa aplicada | Endurecida, infiltrada; base firme ao apalpar |
| Cor e borda | Eritematosa ou cor da pele, escama aderente, borda mal definida | Bege a preto, borda nítida e bem contornada | Avermelhada, com crosta ou ulceração central, borda elevada |
| Tamanho habitual | 2 a 6 mm, podendo formar placas maiores | 2 mm a mais de 2 cm | Variável, com crescimento perceptível em semanas a meses |
| Local típico | Face, orelhas, couro cabeludo calvo, dorso das mãos, antebraços, lábio inferior | Tronco, dorso, colo, face; também em áreas cobertas | Mesmas áreas fotoexpostas da queratose actínica |
| Evolução observada | Descama, some e retorna no mesmo ponto | Cresce muito lentamente e permanece estável por anos | Cresce, endurece, sangra ao mínimo trauma e não cicatriza |
| Sangramento espontâneo | Incomum; pode sangrar se raspada | Só por atrito ou trauma | Frequente e repetido, sem trauma que justifique |
| Risco de evoluir para câncer | Existe e é o motivo do acompanhamento | Não evolui para câncer | Já é o câncer; o que se avalia é extensão e profundidade |
| Conduta habitual em consultório | Tratamento da lesão e frequentemente da área ao redor, com retorno programado | Observação; remoção quando incomoda, irrita ou há dúvida diagnóstica | Confirmação histopatológica e encaminhamento para tratamento definitivo |
A tabela organiza o raciocínio, mas nenhuma linha dela funciona isolada. Lesões reais se apresentam com características misturadas: existe queratose actínica pigmentada, existe queratose seborreica irritada e avermelhada, e existe carcinoma que começou dentro de uma queratose actínica que estava sendo acompanhada. Por isso o resultado da comparação é uma hipótese, não um diagnóstico.
Por que as duas se confundem no espelho e não na dermatoscopia
A olho nu, as informações disponíveis são poucas: cor, tamanho e formato aproximado. Só isso não separa as duas lesões, porque as duas ocupam faixas de cor e tamanho que se sobrepõem — uma queratose actínica pigmentada de 5 mm no dorso da mão e uma queratose seborreica plana de 5 mm no mesmo lugar podem parecer idênticas do outro lado do espelho.
A dermatoscopia muda o problema. O aparelho ilumina e amplia a lesão, com luz polarizada ou com contato e líquido de imersão, e revela estruturas que não existem para o olho desarmado:
- Na queratose seborreica — pseudocistos córneos (pontos brancos e amarelados arredondados), aberturas foliculares em forma de comedão, sulcos e cristas com aspecto cerebriforme e bordas com recortes descritos como "roídas por traça".
- Na queratose actínica facial — o chamado padrão em morango: fundo eritematoso formando uma pseudorrede em torno das aberturas foliculares, com tampões de queratina amarelados no centro dos folículos.
- Na queratose actínica pigmentada — padrões que exigem diferenciar de lentigo solar e, sobretudo, de lentigo maligno, um tipo de melanoma inicial em pele fotoenvelhecida. Esse é um dos diagnósticos diferenciais mais delicados da face.
- No carcinoma espinocelular inicial — vasos em alça e pontilhados dispostos de forma irregular, escamas brancas e áreas de ulceração.
Essas estruturas dependem de aumento óptico, de luz controlada e, em muitos casos, de contato do aparelho com a pele. Nenhuma delas aparece em foto de celular. É por isso que a diferenciação se faz na dermatoscopia, e não no espelho.
O detalhe que mais ajuda: a aspereza que se sente antes de se ver
Se existe um sinal prático que orienta mais do que qualquer outro, é o tato. A queratose actínica é, com frequência, percebida pelos dedos antes de ser percebida pelos olhos: a pessoa passa a mão na testa ao se lavar, ou o barbeador engancha em um ponto do rosto, e só então ela procura a marca no espelho — e às vezes mal consegue enxergá-la.
Esse é o único ponto em que o autoexame contribui de verdade. Vale conhecer a textura da própria pele nas áreas de sol e notar quando aparece um ponto que não acompanha o resto. Duas observações sobre como fazer isso sem se enganar:
- Compare com a pele vizinha, não com fotos. A referência útil é a sua própria pele a poucos centímetros dali, na mesma região e sob a mesma luz.
- Considere o tempo. Pele seca de inverno melhora com hidratação em duas a três semanas. Um ponto áspero que continua áspero depois disso, no mesmo lugar, é outro tipo de achado.
Importante: o tato aumenta a suspeita, mas não fecha nada. Queratose seborreica verrucosa também é rugosa ao toque, e existe queratose actínica com escama fina, quase imperceptível. O sinal serve para levar a pessoa à consulta no tempo certo — essa é toda a sua função.
Por que nenhuma foto substitui a avaliação presencial
Vale dizer isso com todas as letras, porque é a pergunta que mais chega por mensagem: não é possível diferenciar queratose actínica de queratose seborreica por foto. Nem por foto de celular, nem por foto com boa câmera, nem comparando com imagens encontradas na internet. Os motivos são concretos:
- Foto não tem textura. O sinal mais característico da queratose actínica é tátil. A câmera registra cor e forma, não aspereza.
- Foto não tem dermatoscopia. Pseudocistos, tampões foliculares e padrão vascular só aparecem com aumento e iluminação específicos, com o aparelho encostado na pele.
- A cor da foto não é a cor da lesão. Balanço de branco, luz amarela de banheiro, filtro automático e compressão da imagem alteram exatamente o que se quer avaliar: tom, contraste e limite da borda.
- Uma lesão não conta a história. O exame presencial cobre toda a área fotoexposta e frequentemente encontra outras lesões que a pessoa não tinha notado — e é esse conjunto que define a conduta.
- Falta o resto do quadro. Histórico de exposição solar, ocupação, fototipo, tratamentos prévios, uso de medicações que aumentam a fotossensibilidade, imunossupressão e antecedente de câncer de pele mudam a interpretação da mesma imagem.
- Existe o diferencial que não perdoa erro. Lentigo maligno, carcinoma basocelular superficial, doença de Bowen e carcinoma espinocelular inicial entram no mesmo diagnóstico diferencial. Um "parece benigno" dado por foto pode adiar meses o diagnóstico de um desses.
A conclusão prática é simples: foto serve para acompanhar a evolução de uma lesão que já foi examinada presencialmente. Não serve para dizer o que ela é.
Quando a queratose actínica pode evoluir para carcinoma espinocelular
Nem toda queratose actínica vira câncer — e essa é uma informação importante para reduzir alarme desnecessário. Parte das lesões regride, principalmente quando a exposição solar diminui e a fotoproteção passa a ser consistente. Outra parte permanece estável por anos. Uma fração evolui.
Os números publicados variam muito conforme a população estudada e o tempo de acompanhamento, e é honesto dizer isso: as estimativas de risco de transformação de uma lesão isolada em carcinoma espinocelular ao longo de um ano vão de frações de 1% a percentuais bem mais altos em pessoas de risco elevado. O que os estudos mostram com mais consistência é o caminho inverso — quando se examina um carcinoma espinocelular já formado, é frequente encontrar queratose actínica na mesma área ou na periferia da lesão.
É essa combinação que define a conduta: o risco por lesão individual é baixo, mas o risco cresce com o número de lesões, com o tempo de convivência e com o histórico da pessoa. Quem tem dezenas de queratoses actínicas e décadas de exposição não está na mesma situação de quem tem duas.
Os sinais que fazem a lesão sair da categoria "acompanhar" e entrar na categoria "investigar agora":
- Endurecimento da base — a lesão deixa de ser uma escama superficial e passa a ter consistência firme por baixo.
- Crescimento perceptível em semanas.
- Dor espontânea ou ao toque leve.
- Sangramento repetido sem trauma que explique.
- Ferida que fecha e reabre no mesmo ponto por mais de um mês.
- Lesão que não responde ao tratamento que já havia funcionado antes.
- Qualquer lesão persistente no lábio inferior.
Nenhum desses sinais confirma câncer isoladamente. Todos eles justificam antecipar a avaliação.
Campo de cancerização: por que se trata a área toda, e não só a lesão
O conceito de campo de cancerização foi descrito em 1953, em cabeça e pescoço, e se aplica bem à pele fotoexposta. A ideia central: a radiação ultravioleta não atinge um ponto — atinge uma região inteira. Toda a área recebeu a mesma carga acumulada, e todas as células dali carregam algum grau de dano genético. As queratoses actínicas visíveis são apenas os pontos em que esse dano já se manifestou.
Duas consequências práticas nascem disso:
- Tratar só o que se vê tende a ser insuficiente. Retirada a lesão visível, o restante do campo continua alterado — e novas lesões surgem em torno, muitas vezes em poucos meses.
- O acompanhamento é contínuo, não pontual. Quem tem campo de cancerização estabelecido costuma ter retornos programados, com reavaliação de toda a área, não só do ponto tratado.
É por isso que existem duas famílias de conduta: tratamentos dirigidos à lesão e tratamentos dirigidos ao campo. Elas não competem — em muitos casos são combinadas, e a escolha depende do número de lesões, da extensão da área alterada, da localização e do que a pessoa já usou antes.
O que existe de tratamento por categoria, e por que nenhum é caseiro
Esta seção descreve categorias para que a leitura da consulta fique mais fácil. Não é indicação: nenhuma dessas condutas se escolhe sem exame presencial, e não existe versão doméstica de nenhuma delas.
Dirigidos à lesão
- Crioterapia com nitrogênio líquido — congelamento controlado, aplicado em consultório, com tempo e número de ciclos definidos conforme a lesão e o local. Pode deixar área mais clara na pele tratada.
- Curetagem, com ou sem eletrocoagulação — remoção mecânica da lesão. Permite enviar material para exame quando há dúvida diagnóstica.
- Shaving ou exérese — indicados quando é necessária confirmação histopatológica, principalmente diante de suspeita de carcinoma.
Dirigidos ao campo
- Quimioterápicos tópicos e imunomoduladores tópicos — aplicados pela própria pessoa em casa, mas sempre sob prescrição e acompanhamento, com esquema definido de dias de uso e pausas. Provocam reação inflamatória intensa e esperada na área tratada, o que confunde quem usa por conta própria e faz muita gente abandonar no meio.
- Terapia fotodinâmica — aplicação de substância fotossensibilizante, tempo de incubação sob oclusão e iluminação com fonte de luz específica, tudo em ambiente clínico.
- Peelings químicos e laser ablativo fracionado — atuam sobre a superfície de toda a área e podem ser considerados em contextos específicos, com os mesmos cuidados de qualquer procedimento que remove camadas da pele. Há mais detalhes sobre uma dessas tecnologias no texto sobre laser de CO2 fracionado.
Para a queratose seborreica
Por ser benigna, a queratose seborreica não exige tratamento. Ela é removida quando incomoda esteticamente, quando sofre atrito repetido em local de roupa ou acessório, quando inflama com frequência — ou quando há qualquer dúvida diagnóstica, situação em que a remoção também tem função de esclarecimento. As técnicas usadas são as mesmas de remoção superficial, escolhidas conforme espessura, cor e localização.
Repare no ponto comum a todas as categorias: todas envolvem prescrição, equipamento, ou material enviado para análise. Nenhuma delas se resolve com produto de balcão.
O que acontece quando se tenta arrancar ou queimar em casa
Este é o comportamento mais frequente e o mais problemático. A queratose seborreica parece destacável — em muitos casos, realmente sai com a unha. E é exatamente aí que o dano começa:
- Perde-se a possibilidade de diagnóstico. Removida a lesão em casa, não há mais o que examinar. Se aquilo não era o que se imaginava, a informação foi destruída junto.
- Mancha escura no lugar. A hiperpigmentação pós-inflamatória que se forma depois do trauma costuma durar meses e é, com frequência, mais visível do que a lesão original.
- Cicatriz e mancha clara permanente. Ácidos de farmácia, produtos para verruga, cauterizantes caseiros e kits de congelamento não têm controle de profundidade. Em pele fina de face ou de dorso de mão, o resultado pode ser uma área clara definitiva.
- Infecção. Ferida aberta, sem assepsia, em região exposta — o cenário é conhecido.
- Recidiva. Removida de forma incompleta, a lesão volta, muitas vezes com aspecto alterado, o que torna a avaliação posterior mais difícil.
- Falsa segurança. Quando a lesão arrancada era uma queratose actínica, o que se retirou foi a escama; o processo por baixo continua. O sumiço temporário passa a impressão de resolução e adia a avaliação.
Sobre automedicação, cabe um alerta adicional: os tópicos usados em campo de cancerização são medicamentos com efeitos locais intensos, e há registro de um princípio ativo dessa área que teve sua comercialização suspensa na Europa em 2020 depois que dados de acompanhamento levantaram preocupação de segurança. Isso resume por que esse grupo de produtos não se compra por indicação de terceiros nem se importa por conta própria.
Santos, sol acumulado e as áreas que quase ninguém protege
Viver na Baixada Santista significa acumular exposição em situações que não são percebidas como "tomar sol": a caminhada até o trabalho, o percurso na ciclovia dos canais, a espera na fila, o almoço fora, a feira, o passeio com o cachorro no fim da tarde. Somadas ao longo de trinta ou quarenta anos, essas horas pesam mais do que as férias na praia.
Algumas regiões concentram queratose actínica justamente porque ficam de fora da rotina de proteção:
- Dorso das mãos — quase nunca recebe protetor, e é reexposto a cada lavagem. Ao volante, ficam viradas para cima e para o para-brisa.
- Orelhas e a borda do pavilhão auricular — esquecidas por quem usa boné, que protege a testa e deixa as orelhas descobertas.
- Couro cabeludo em áreas de rarefação de cabelo — a área que mais recebe radiação direta no ângulo do meio-dia.
- Lábio inferior — anatomicamente virado para cima e raramente protegido, já que batom com filtro e protetor labial não fazem parte da rotina da maioria.
- Antebraço esquerdo — em quem dirige, a assimetria entre os dois braços costuma ser visível.
- Colo e nuca — a nuca some do campo de visão de quem se olha no espelho, e é a área de quem trabalha inclinado ao ar livre.
Como aplicar filtro de forma que ele realmente cubra essas áreas, com quantidade e frequência, está detalhado no guia completo de protetor solar. E vale registrar: a fotoproteção continua fazendo diferença depois que a primeira lesão apareceu. Ensaios clínicos de longo prazo em população de clima ensolarado mostraram redução da incidência de carcinoma espinocelular em quem usou filtro diariamente, além de menor surgimento de novas queratoses actínicas. Proteger não desfaz o dano acumulado, mas interrompe a soma.
Mancha áspera que descama e volta merece ser examinada
A diferenciação entre queratose actínica e queratose seborreica é feita presencialmente, com dermatoscopia — e, quando necessário, com exame do material. Agende uma avaliação com a Dra. Maria Cecília Campedelli no Gonzaga, em Santos.
Agendar pelo WhatsAppQuando marcar avaliação presencial e o que a consulta esclarece
A avaliação é indicada quando existe qualquer uma destas situações:
- Área áspera que persiste por mais de um mês mesmo com hidratação.
- Lesão que descama, some e volta sempre no mesmo ponto.
- Marca que mudou de tamanho, cor, relevo ou borda em semanas.
- Qualquer lesão que sangra sem trauma ou que não cicatriza.
- Lesão no lábio inferior que não regride.
- Lesão que dói, arde ou coça de forma persistente.
- Muitas lesões acastanhadas surgindo ao mesmo tempo.
- Histórico pessoal de câncer de pele, imunossupressão ou anos de trabalho ao ar livre — nesses casos, o acompanhamento é periódico, com ou sem queixa.
O que a consulta resolve, na prática:
- Exame de toda a área fotoexposta, e não apenas da lesão que motivou a ida — é comum encontrar outras que passaram despercebidas.
- Dermatoscopia das lesões relevantes, que é onde a diferenciação efetivamente acontece.
- Definição sobre biópsia quando o exame não é conclusivo ou quando há suspeita de carcinoma. Diante de dúvida, o material vai para análise — essa é a conduta correta.
- Decisão entre tratar a lesão, tratar o campo ou os dois, considerando quantidade, localização, atividade profissional e histórico.
- Plano de fotoproteção realista para a rotina da pessoa, incluindo as áreas que costumam ficar de fora.
- Definição do intervalo de retorno, que é parte do tratamento e não um detalhe.
Quem procura orientação sobre manchas de outra natureza — melasma, mancha pós-inflamatória, mancha de sol sem aspereza — encontra o panorama no texto sobre tratamento de manchas no rosto. E quem quer entender como funciona a primeira consulta pode ler sobre a avaliação com médica de pele em Santos.
O consultório da Campedelli Dermatologia fica na Av. Ana Costa 493, Cj 85, Gonzaga, Santos-SP. Agendamento pelo WhatsApp (13) 99708-2585.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. A diferenciação entre queratose actínica e queratose seborreica exige avaliação presencial com exame dermatoscópico e, em parte dos casos, exame do material — não é possível fazê-la por foto. Diante de qualquer lesão de pele que persiste, muda ou sangra, procure avaliação.
Perguntas frequentes
Queratose actinica sempre vira cancer de pele?
Não. Parte das lesões permanece estável por anos e parte regride, sobretudo quando a exposição solar diminui e a fotoproteção passa a ser consistente. O risco existe e é o motivo do acompanhamento: quando se examina um carcinoma espinocelular já formado, é frequente encontrar queratose actínica na mesma área. O risco cresce com o número de lesões, com o tempo de convivência e com o histórico de exposição. Endurecimento da base, crescimento em semanas, dor ou sangramento repetido são os sinais que pedem avaliação imediata.
Da para arrancar uma queratose seborreica em casa?
Não. Mesmo sendo benigna e mesmo parecendo destacável, arrancar em casa traz três problemas: destrói a lesão sem que ninguém tenha confirmado que era mesmo uma queratose seborreica, costuma deixar mancha escura por meses e pode causar cicatriz, mancha clara permanente ou infecção. Ácidos de farmácia, produtos para verruga e kits de congelamento não têm controle de profundidade. A remoção, quando indicada, é feita em consultório com técnica adequada ao local e à espessura da lesão.
Mancha aspera que descama e volta e sinal de que?
É o padrão mais característico da queratose actínica: a lesão descama, some por algumas semanas e retorna no mesmo ponto, geralmente em área que recebeu muito sol ao longo da vida, como testa, orelhas, couro cabeludo com pouco cabelo, dorso das mãos e antebraços. Pele seca comum melhora com hidratação em duas a três semanas; um ponto áspero que permanece depois disso, sempre no mesmo lugar, é outro tipo de achado e precisa ser examinado presencialmente, com dermatoscopia.
Quem tem uma queratose actinica costuma ter outras?
Sim, e é a regra mais do que a exceção. A radiação ultravioleta não atinge um ponto isolado, e sim toda uma região — é o chamado campo de cancerização. As lesões visíveis são os pontos em que o dano acumulado já se manifestou, enquanto o restante da área continua alterado. Por isso o exame cobre toda a superfície fotoexposta e não apenas a lesão que motivou a consulta, e por isso a conduta muitas vezes inclui tratar a área, não só a marca visível.
Protetor solar ajuda depois que a lesao ja apareceu?
Sim. A fotoproteção não desfaz o dano já acumulado, mas interrompe a soma. Estudos de longo prazo em população de clima ensolarado mostraram menor incidência de carcinoma espinocelular entre quem usou filtro diariamente, além de menor surgimento de novas lesões. Na prática, o que muda o resultado é cobrir as áreas que costumam ficar de fora — dorso das mãos, orelhas, couro cabeludo com rarefação de cabelo, lábio inferior e nuca — e reaplicar ao longo do dia.