O ralo entupido depois do banho, a escova cheia em dez passadas, a foto de dois anos atrás em que a risca era visivelmente mais fina. A queda de cabelo feminina quase nunca chega como um diagnóstico pronto — chega como três observações soltas que a mulher junta sozinha, geralmente depois de meses adiando.
O problema é que "queda de cabelo" não é um diagnóstico. São pelo menos cinco quadros diferentes, com causas, prazos e condutas distintas, e o que separa um do outro está em coisas que dá para observar antes de qualquer exame: onde o couro cabeludo aparece, em quanto tempo a mudança se instalou, se coça ou dói, e se o fio caiu pela raiz ou quebrou no meio. Este texto organiza esses sinais na ordem em que eles são úteis.
Quantos fios por dia é esperado cair e como contar em casa
O couro cabeludo adulto tem entre 80 mil e 120 mil fios, e cada um deles está em uma fase diferente do ciclo capilar:
- Anágena (crescimento) — 85% a 90% dos fios. Dura de 2 a 6 anos. É a fase que define o comprimento máximo que o seu cabelo consegue atingir.
- Catágena (transição) — cerca de 1% dos fios. Dura de 2 a 3 semanas.
- Telógena (repouso e queda) — 10% a 15% dos fios. Dura cerca de 100 dias. O fio já está solto no folículo e cai com qualquer tração.
Fazendo a conta: 10% de 100 mil fios em telógena, divididos por 100 dias de repouso, dá cerca de 100 fios saindo por dia. É daí que vem o número que todo mundo repete. Ele é uma média, não um limite.
Os dois testes caseiros que realmente informam algo
Contar fios "no olho" não funciona, porque a percepção muda com o comprimento, com a cor do chão do banheiro e com o susto. Dois métodos simples dão um número comparável ao longo do tempo:
- Contagem de 60 segundos. Antes de lavar, sente-se com um pano claro no colo e penteie da raiz até as pontas, sempre da mesma região do topo até a nuca, por 60 segundos cronometrados. Conte os fios no pano. Repita em três dias seguidos e tire a média. Médias abaixo de 10 fios costumam estar dentro do esperado; acima de 15, há queda aumentada.
- Teste da lavagem. Fique 5 dias sem lavar, coloque uma peneira no ralo e lave normalmente. Conte tudo o que ficou na peneira. Acima de 100 fios numa única lavagem após 5 dias, o padrão sugere eflúvio — a queda difusa aumentada.
O erro mais comum aqui é comparar um dia de lavagem com um dia sem lavar. Quem lava a cada três dias acumula três dias de queda de uma vez e conclui que "está caindo o triplo". O que importa é o mesmo intervalo, medido do mesmo jeito, ao longo de semanas.
O segundo registro que vale a pena é fotográfico: mesma risca, mesmo lado, mesma luz do banheiro, a cada três meses, sem produto no cabelo. Foto vale mais que memória — e é o que permite dizer se algo mudou ou se a impressão é do dia ruim.
Risca que alarga, rabo de cavalo fino ou falha: leia o próprio padrão
Antes de pensar em causa, vale identificar o desenho. É ele que restringe as hipóteses:
- A risca alarga no topo, mas a linha da frente continua no lugar. Padrão clássico da alopecia androgenética feminina. A perda é de densidade e de espessura, não de área — o couro aparece entre os fios, não numa falha.
- Cai muito, por todo o couro, e a risca não mudou tanto. Padrão de eflúvio telógeno. A pessoa vê muito fio caindo e pouca mudança no espelho, porque a perda está distribuída.
- O rabo de cavalo precisa de mais voltas do elástico do que precisava. É a medida caseira mais honesta de densidade global. Duas voltas viraram quatro em dois anos: houve perda real, independente do padrão.
- Uma falha redonda, lisa, de contorno bem definido, que apareceu em dias. Padrão de alopecia areata. Não descama, não dói e o couro na área tem cor normal.
- Rarefação nas têmporas e na linha frontal, acompanhando o penteado de sempre. Padrão de tração.
- Coceira, ardor, dor ao pentear, descamação grudada na base do fio ou áreas lisas e brilhantes sem poros visíveis. Esse é o grupo que não pode esperar. Alopecia com sintoma inflamatório levanta a hipótese de alopecia cicatricial, em que a perda na área já comprometida é definitiva.
Na prática de consultório, dois padrões coexistindo é o cenário mais comum: uma androgenética que vinha lenta e silenciosa e ficou visível depois de um eflúvio agudo. A mulher percebe a queda no chuveiro, mas o que assustou no espelho foi a risca — que já estava alargando havia anos.
Cinco padrões de queda feminina lado a lado
| Padrão | Como o couro cabeludo aparece | Velocidade de instalação | Sintomas associados | Exames que ajudam a esclarecer | Evolução descrita na literatura |
|---|---|---|---|---|---|
| Eflúvio telógeno | Rarefação difusa, sem falha delimitada; o couro aparece por igual, inclusive na nuca | Súbita — 2 a 4 meses depois do gatilho | Nenhum: não coça, não dói, não descama | Hemograma, ferritina, TSH, T4 livre, vitamina D e revisão dos medicamentos em uso | Autolimitado na maioria dos casos; recuperação em 6 a 12 meses depois que o gatilho é corrigido |
| Alopecia androgenética feminina | Risca alarga no topo e pouco ou nada na nuca; linha frontal preservada | Lenta — anos; costuma ser notada comparando fotos | Nenhum; às vezes acompanha oleosidade, acne ou excesso de pelos | Tricoscopia (diâmetros desiguais entre topo e nuca); ferritina e TSH; dosagem hormonal só se houver sinal clínico | Crônica e progressiva; estabiliza com tratamento contínuo e volta a progredir se ele é interrompido |
| Alopecia areata | Falha redonda ou oval, lisa, bem delimitada, com os poros ainda visíveis | Rápida — dias a poucas semanas | Sem dor; às vezes formigamento; pode haver pontinhos nas unhas | Tricoscopia; TSH e T4 livre; investigação de outras condições autoimunes conforme o quadro | Curso imprevisível: repilação espontânea é possível e recidiva também |
| Alopecia por tração | Rarefação em faixa nas têmporas e na linha frontal, muitas vezes com uma fileira de fios curtos preservada à frente | Meses a anos, conforme o penteado | Dor no couro depois de pentear, ardor, foliculite nos pontos de tensão | Diagnóstico clínico com tricoscopia; biópsia quando há dúvida sobre cicatrização | Reversível nos primeiros anos; mantida a tração por muito tempo, a perda passa a ser definitiva |
| Alopecia cicatricial (líquen plano pilar, alopecia frontal fibrosante e outras) | Áreas lisas e brilhantes com perda dos poros; borda avermelhada e escamas aderidas ao redor do fio | Variável, em geral lenta e contínua | Coceira, ardor, dor e sensibilidade; na forma frontal, perda das sobrancelhas | Biópsia do couro cabeludo é o exame que define | Na área já cicatrizada a perda é definitiva; o objetivo do tratamento é interromper a progressão |
Alopecia androgenética feminina e o desenho em árvore de Natal
A alopecia androgenética feminina não faz o cabelo cair em quantidade dramática. Ela faz cada fio nascer mais fino e viver menos tempo a cada ciclo — o processo chamado miniaturização. Com anágenas cada vez mais curtas, o fio termina antes de atingir o comprimento anterior, e depois de alguns ciclos vira um fio fino, curto e claro, do tipo velus.
É por isso que a queixa clássica não é "está caindo muito", e sim "não cresce mais como antes" ou "meu cabelo virou outro cabelo".
Como o padrão é descrito
- Escala de Ludwig (I, II e III) — mede o alargamento progressivo da risca central, com preservação da linha frontal. É a forma mais usada de graduar.
- Padrão em árvore de Natal — o alargamento é maior na parte da frente da risca e vai afinando para trás, desenhando um triângulo. Quando aparece, sugere fortemente componente androgenético.
- Escala de Sinclair (1 a 5) — série de imagens da risca usada para acompanhar a evolução ao longo do tempo, útil justamente porque a comparação é visual.
Um fio terminal adulto costuma ter entre 60 e 100 micrômetros de espessura; abaixo de 30 micrômetros ele já é classificado como velus. Na tricoscopia, o achado que sustenta o diagnóstico não é um fio fino isolado — é a diversidade de diâmetros: fios grossos, médios e finos convivendo na mesma área do topo, com variação acima de 20%, enquanto a nuca mantém calibre uniforme. A comparação topo × nuca da mesma pessoa vale mais do que qualquer número absoluto de densidade.
Um ponto que costuma surpreender: a maior parte das mulheres com esse padrão tem dosagens hormonais normais. A androgenética feminina depende muito mais da sensibilidade dos receptores do folículo aos androgênios do que da quantidade circulante deles. Por isso, pedir painel hormonal para toda queda feminina não é o caminho — o painel se justifica quando há sinal clínico junto: ciclo irregular, excesso de pelos, acne resistente, oleosidade que mudou de padrão. Se esse conjunto soa familiar, vale ler também o material sobre acne hormonal feminina, que trata do mesmo eixo por outro sintoma.
Ferritina baixa, tireoide e vitamina D: o que os exames revelam
Os exames não fazem o diagnóstico do padrão — o exame clínico faz. O que eles fazem é encontrar o que está piorando o quadro e o que pode ser corrigido.
Ferritina
Ferritina mede a reserva de ferro, e é o exame mais frequentemente esquecido em queda feminina. Uma mulher pode ter hemoglobina perfeitamente normal e ferritina de 8 ng/mL: não há anemia, mas o estoque acabou, e o folículo é um dos primeiros tecidos a sentir. Abaixo de 30 ng/mL a reserva está esgotada; boa parte da literatura capilar trabalha com alvos entre 40 e 70 ng/mL, ainda que esse número seja objeto de discussão.
Duas armadilhas na leitura:
- A ferritina é um reagente de fase aguda. Em quadro inflamatório, infecção recente ou obesidade, ela sobe sem que o ferro tenha aumentado. Por isso costuma ser interpretada junto com PCR, ferro sérico e saturação de transferrina (abaixo de 20% aponta oferta insuficiente).
- Fluxo menstrual intenso mantém a reserva sempre baixa, mesmo com dieta adequada. Nesses casos, tratar só o cabelo não resolve o problema de origem.
O erro grave, aqui, é suplementar ferro sem dosar. Ferro em excesso não faz cabelo crescer, tem efeito tóxico acumulativo e mascara a investigação seguinte.
Tireoide
TSH e T4 livre entram sempre. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo produzem queda difusa, e o padrão é indistinguível do eflúvio por outras causas. No hipotireoidismo, os sinais associados ajudam: fio seco e quebradiço, pele áspera, intolerância ao frio e afinamento do terço lateral da sobrancelha.
Vitamina D, zinco e B12
O folículo tem receptor de vitamina D, e níveis baixos são frequentes em quem tem queda — o que ainda não está bem estabelecido é o quanto suplementar muda o desfecho capilar em quem não tem deficiência. Zinco e B12 entram conforme a história alimentar: dieta vegetariana sem reposição, cirurgia bariátrica e uso prolongado de inibidor de bomba de prótons são os cenários que mais justificam a dosagem.
O detalhe da biotina que quase ninguém avisa
Suplementos de biotina em dose alta — os de 5 mg a 10 mg vendidos como "para cabelo e unha" — interferem em vários exames laboratoriais que usam a tecnologia de estreptavidina-biotina. Entre eles estão justamente TSH, T4 livre, vitamina D, PTH e troponina. O resultado pode vir alterado sem que exista alteração nenhuma, e já houve quem começasse tratamento de tireoide por causa disso. A orientação prática é suspender a biotina por 48 a 72 horas antes da coleta e avisar o laboratório e a médica que estava em uso.
Anticoncepcional, pós-parto, SOP e menopausa: o eixo hormonal
O eixo hormonal age sobre o cabelo por dois caminhos diferentes: alterando o ciclo (queda difusa, temporária) ou alterando o próprio folículo (miniaturização, permanente enquanto o estímulo existir).
Anticoncepcional
O que importa não é "tomar pílula", é qual progestagênio ela contém. Progestagênios com perfil mais androgênico — como levonorgestrel e noretisterona — podem piorar a queda em quem tem folículo sensível. Já os de perfil antiandrogênico — ciproterona, drospirenona, dienogeste, clormadinona — tendem a estabilizar o quadro enquanto estão em uso.
A parte que gera mais confusão é a suspensão. Parar um anticoncepcional antiandrogênico costuma produzir queda difusa de 2 a 4 meses depois, pelo mesmo mecanismo do pós-parto. Como o intervalo é longo, quase ninguém liga uma coisa à outra, e a queda é atribuída a estresse ou a um xampu novo.
Pós-parto
Durante a gestação, o estrogênio alto prolonga a fase anágena: muitos fios que já deveriam ter caído continuam presos. Depois do parto, todos eles entram em telógena praticamente ao mesmo tempo. A queda começa entre 2 e 4 meses após o parto, atinge o pico por volta do terceiro ou quarto mês e costuma se resolver entre 6 e 12 meses. É esperado, é autolimitado — e pode se repetir a cada gestação.
SOP e hiperandrogenismo
Na síndrome dos ovários policísticos, a queda tem padrão androgenético e costuma aparecer mais cedo, acompanhada de ciclo irregular, excesso de pelos em áreas de padrão masculino e acne persistente. Nesse conjunto, a investigação hormonal deixa de ser opcional, e o cuidado é conjunto com quem acompanha a parte ginecológica e metabólica.
Menopausa
Com a queda do estrogênio e a manutenção relativa dos androgênios, a densidade e o diâmetro do fio caem. As séries descrevem aumento importante da prevalência de padrão androgenético depois dos 50 anos, com números que variam entre 20% e 40% conforme o critério usado.
Há um quadro específico dessa faixa que merece atenção separada: a alopecia frontal fibrosante. Ela recua a linha frontal de forma simétrica, costuma vir com perda das sobrancelhas e é uma alopecia cicatricial — ou seja, a área perdida não volta. Diferentemente da androgenética, aqui o tempo até a avaliação muda o desfecho, porque o objetivo do tratamento é frear a progressão. Recuo da linha frontal com sobrancelha rareando é motivo para marcar avaliação sem esperar.
Dietas restritivas, bariátrica e queda que aparece meses depois
O eflúvio telógeno tem uma característica que atrapalha o diagnóstico: a queda não acontece junto com o gatilho, e sim de 2 a 4 meses depois. Quando a mulher procura ajuda, o evento já passou e ela nem o menciona. A pergunta certa não é "o que mudou agora", é "o que aconteceu há três meses".
| Gatilho | Quanto tempo até a queda aparecer | Quando costuma melhorar |
|---|---|---|
| Parto | 2 a 4 meses | 6 a 12 meses após o início da queda |
| Cirurgia de grande porte ou anestesia geral | 2 a 3 meses | 3 a 6 meses após o pico |
| Infecção com febre alta prolongada | 2 a 3 meses | 3 a 6 meses |
| Suspensão de anticoncepcional | 2 a 4 meses | 6 a 12 meses |
| Perda de mais de 10% do peso corporal | 3 a 4 meses | 3 a 6 meses depois que o peso estabiliza |
| Cirurgia bariátrica | 3 a 6 meses | Quando o peso estabiliza e as reposições normalizam |
| Ferritina baixa mantida | Instalação lenta, ao longo de meses | 3 a 6 meses depois de normalizar a reserva de ferro |
| Início ou troca de medicamento | 2 a 3 meses na maioria dos casos | Depende do ajuste, sempre com quem prescreveu |
Sobre restrição alimentar, alguns números orientam melhor que recomendações vagas:
- Déficit calórico agressivo — dietas mantidas abaixo de 1.000 a 1.200 kcal por dia durante semanas produzem eflúvio com regularidade. O corpo trata o folículo como estrutura não essencial e desliga o crescimento antes de qualquer outro sistema.
- Proteína — o fio é 90% queratina. Ingestões abaixo de 1,0 g de proteína por quilo de peso ao dia costumam ser insuficientes para sustentar a fase de crescimento em quem já tem outro fator somado.
- Bariátrica — a queda aparece na fase de perda rápida, entre o terceiro e o sexto mês, e melhora quando o peso estabiliza. As séries relatam frequência alta nesse período. O acompanhamento de ferro, zinco, B12, cobre e vitamina D é parte do cuidado, não um extra.
- Perda de peso muito rápida por qualquer via — incluindo a obtida com medicações injetáveis da classe dos análogos de GLP-1. O que os relatos descrevem acompanha a velocidade da perda de peso, e não um efeito direto sobre o folículo. Perder devagar reduz o problema.
Tração, progressiva e chapinha: quando o hábito é a causa
Existe um teste simples que separa dois problemas completamente diferentes: pegue um fio caído e olhe a ponta que estava presa ao couro.
- Bulbo esbranquiçado e arredondado na ponta — o fio saiu pela raiz. É queda de verdade, e a investigação vai para as causas descritas acima.
- Ponta irregular, sem bulbo, às vezes desfiada — o fio quebrou. Não é queda, é fragilidade da haste, e a conduta é outra: química, calor e mecânica.
Essa distinção evita meses de exame desnecessário. Quem faz progressiva, descoloração global ou usa chapinha diária costuma ter volume de fios no chão sem nenhuma perda de densidade real — o cabelo está partindo no meio, não deixando o folículo.
Calor
A queratina começa a se degradar acima de aproximadamente 150 °C. Chapinhas domésticas trabalham entre 180 °C e 230 °C. Manter o aparelho no limite inferior útil, usar protetor térmico e não passar duas vezes na mesma mecha muda a integridade da haste de forma perceptível em poucas semanas.
Tração
Rabo de cavalo apertado, coque alto de repetição, tranças com aplique, mega-hair e extensões produzem uma perda característica nas têmporas e na linha frontal. O sinal mais típico é a fileira de fios curtos preservada bem na borda, com rarefação atrás dela. Dor de cabeça ou ardor no couro depois de soltar o penteado não é normal — é o aviso de que a tração está além do que o folículo tolera.
A boa notícia é que a tração é reversível nos primeiros anos. A má é que, mantida por tempo suficiente, ela evolui para perda definitiva.
Três crenças que atrasam o cuidado
- "Lavar menos reduz a queda." Não reduz — apenas acumula. Os fios em telógena já estavam soltos e vão sair na próxima lavagem, todos de uma vez, reforçando a impressão de piora.
- "Preciso achar o xampu certo." Xampu não trata queda por causa sistêmica. O que ele faz, e faz bem, é controlar o couro cabeludo — e couro inflamado, com dermatite seborreica, piora qualquer quadro de queda que já exista. Trocar de produto todo mês só impede saber o que funcionou.
- "É oleosidade que está sufocando o folículo." A oleosidade acompanha o quadro androgenético em muitas mulheres, mas não é a causa mecânica da queda. Vale entender o próprio couro antes de agredi-lo — o guia sobre pele oleosa e o que fazer ajuda a separar as duas coisas.
O que muda no plano de cuidado depois de identificar a causa
Identificar o padrão não é um exercício acadêmico: ele muda o objetivo do tratamento, o prazo e o que se considera sucesso.
- Eflúvio telógeno — o objetivo é corrigir o gatilho e sustentar o organismo enquanto o ciclo se reorganiza. O tempo faz a maior parte do trabalho. Insistir em tratamento agressivo aqui costuma render frustração, porque a recuperação tem calendário próprio.
- Androgenética feminina — o objetivo é estabilizar e recuperar o que ainda é recuperável. É tratamento contínuo: interrompido, o quadro volta a progredir. Quanto mais cedo começa, mais folículo existe para preservar.
- Tração — o objetivo é retirar a força mecânica. Nenhum tratamento vence um penteado que continua puxando todos os dias.
- Cicatricial — o objetivo é frear a progressão. Aqui, tempo é a variável mais importante de todas.
Sobre as opções em si: existem tratamentos tópicos, orais e procedimentos, e a escolha depende do padrão, do resultado dos exames, do histórico pessoal e de eventual desejo de gestação. Essa definição é individual e presencial — não há protocolo único, não há como estimar resultado sem examinar o couro cabeludo, e nenhuma dessas opções deve ser iniciada por conta própria a partir de indicação de terceiros.
O que dá para adiantar é o prazo, porque ele é imposto pela biologia e não pelo tratamento: nenhum plano capilar é avaliável antes de 3 a 6 meses. O fio novo nasce fino, curto e às vezes mais claro, e leva tempo até ganhar calibre. Fotografia padronizada da mesma risca, no mesmo intervalo, é o que permite enxergar mudança real em vez de impressão.
Queda que já dura mais de três meses merece avaliação
A avaliação define o padrão, investiga a causa e estabelece um plano com prazo realista. Agende com a Dra. Maria Cecília Campedelli, no Gonzaga, em Santos.
Agendar pelo WhatsAppQuando procurar avaliação em Santos
Nem toda variação de queda exige consulta. Um aumento discreto por poucas semanas, sem mudança de densidade e sem sintoma, pode ser acompanhado com as contagens descritas acima.
A avaliação com uma médica de pele é recomendada quando:
- A queda aumentada persiste por mais de 3 meses, mesmo sem falhas visíveis.
- A risca alargou de forma perceptível na comparação com fotos antigas.
- Apareceu falha delimitada, de qualquer tamanho.
- Existe coceira, ardor, dor ou descamação junto com a queda — esse conjunto tem prioridade.
- A linha frontal recuou ou as sobrancelhas estão rareando.
- A queda vem com ciclo irregular, excesso de pelos ou acne resistente.
- Houve cirurgia, parto, perda de peso importante ou troca de medicação nos últimos seis meses.
A consulta começa pela história — e vale chegar com as informações que ninguém lembra na hora: quando exatamente a queda começou, o que aconteceu nos três meses anteriores, medicações e suplementos em uso (inclusive os que parecem irrelevantes), exames dos últimos 12 meses e as fotos antigas do próprio cabelo. Depois vêm o exame do couro cabeludo com tricoscopia e, quando indicado, a solicitação de exames laboratoriais. O que esperar do atendimento em si está descrito em detalhe na página sobre a consulta de pele em Santos, e há também um panorama geral sobre queda de cabelo e acompanhamento médico.
O consultório da Campedelli Dermatologia fica na Av. Ana Costa 493, Cj 85, Gonzaga, Santos-SP. Agendamento pelo WhatsApp (13) 99708-2585. Para conhecer o atendimento antes de marcar, veja a página sobre a médica de pele em Santos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Cada caso é único, e a avaliação presencial é essencial para diagnóstico e conduta adequados.
Perguntas frequentes
Cair 100 fios por dia é normal?
Sim, 100 fios por dia está dentro da faixa esperada para um couro cabeludo com cerca de 100 mil fios: entre 10% e 15% deles ficam em fase de repouso por aproximadamente 100 dias, o que dá em torno de 100 quedas diárias. O que importa não é o número isolado, e sim a tendência ao longo de semanas e se houve mudança de densidade. Um jeito prático de medir é pentear por 60 segundos sobre um pano claro, antes de lavar, em três dias seguidos: médias acima de 15 fios sugerem queda aumentada.
Queda de cabelo feminina é sempre hormonal?
Não. Hormônio é uma das causas, não a única. Eflúvio telógeno por cirurgia, febre alta, perda de peso rápida ou suspensão de medicação, deficiência de ferro com ferritina baixa, alteração de tireoide, alopecia areata, alopecia por tração e alopecias cicatriciais são causas frequentes sem relação direta com androgênios. Além disso, a maior parte das mulheres com padrão androgenético tem dosagens hormonais normais, porque o que pesa é a sensibilidade do folículo, não a quantidade de hormônio circulante.
Anticoncepcional pode causar queda de cabelo?
Pode, e tanto o início quanto a suspensão são capazes de desencadear queda. O que muda é o progestagênio da fórmula: os de perfil mais androgênico podem piorar a queda em quem tem folículo sensível, enquanto os antiandrogênicos tendem a estabilizar o quadro enquanto estão em uso. A suspensão de um anticoncepcional antiandrogênico costuma produzir queda difusa de 2 a 4 meses depois, pelo mesmo mecanismo do pós-parto. Qualquer troca ou interrupção deve ser conversada com quem prescreveu.
A menopausa muda a densidade do cabelo?
Sim. Com a queda do estrogênio e a manutenção relativa dos androgênios, a densidade e o diâmetro do fio tendem a diminuir, e as séries descrevem aumento importante da prevalência de padrão androgenético depois dos 50 anos. Há ainda um quadro específico dessa faixa, a alopecia frontal fibrosante, que recua a linha frontal de forma simétrica e costuma vir com perda das sobrancelhas: por ser uma alopecia cicatricial, merece avaliação sem espera.
Quando a queda feminina precisa de avaliação médica?
Quando a queda aumentada passa de três meses, quando a risca alargou de forma perceptível em relação a fotos antigas, quando surge uma falha delimitada, quando há coceira, ardor, dor ou descamação junto, quando a linha frontal recua ou as sobrancelhas rareiam, e quando a queda vem acompanhada de ciclo irregular, excesso de pelos ou acne resistente. Sintoma inflamatório e recuo da linha frontal têm prioridade, porque nesses casos o tempo até o diagnóstico muda o desfecho.