Poucas queixas são tão universais quanto as olheiras. Elas incomodam por transmitirem uma aparência de cansaço, envelhecimento e falta de vitalidade — muitas vezes sem que a pessoa esteja realmente cansada. Mas o que nem todos sabem é que existem diferentes tipos de olheiras, cada um com causas distintas e, consequentemente, tratamentos específicos.
Compreender essa diferença é o primeiro passo para encontrar uma solução eficaz. Neste artigo, a Dra. Maria Cecília Campedelli, médica de pele em Santos (CRM-SP 59521), explica os principais tipos de olheiras, suas causas e as opções de tratamento disponíveis na medicina atual.
Por que temos olheiras?
A região periorbital — ao redor dos olhos — é a mais delicada do rosto. A pele ali é até 10 vezes mais fina que em outras áreas da face, com pouquíssimo tecido adiposo subcutâneo. Essa fragilidade anatômica torna a região especialmente suscetível a alterações de cor, volume e textura que percebemos como "olheiras".
Os fatores que contribuem para o aparecimento incluem genética (a causa mais comum), envelhecimento natural, exposição solar crônica, alergias, hábitos de vida e até o formato ósseo do rosto. É importante entender que olheira não é uma doença única, mas um sinal clínico com múltiplas origens — e o sucesso do tratamento depende de identificar corretamente o tipo predominante.
Os principais tipos de olheiras
Olheira pigmentar (melanocítica)
Caracterizada pelo excesso de melanina na pele periorbital, é a mais comum em pessoas de pele morena e negra. A hiperpigmentação confere uma coloração marrom ou castanha à região abaixo dos olhos, que não muda significativamente com pressão ou posição.
As causas incluem predisposição genética, exposição solar sem proteção, dermatite atópica (que gera inflamação crônica e depósito de pigmento) e até o hábito de coçar frequentemente os olhos. Pós-inflamatório de alergias oculares é um fator agravante comum.
Olheira vascular
Tem coloração azulada, arroxeada ou avermelhada e está relacionada à circulação sanguínea local. A pele fina da região permite que vasos sanguíneos dilatados ou congestionados fiquem visíveis, especialmente após noites mal dormidas, estresse ou períodos de alergia nasal.
É o tipo que mais oscila ao longo do dia e conforme o estado geral do paciente. Costuma piorar pela manhã (pela congestão noturna) e melhorar ao longo do dia. Pacientes com rinite alérgica ou sinusite crônica são especialmente propensos a esse tipo.
Olheira estrutural (sulco lacrimal)
Não é propriamente uma alteração de cor, mas sim de volume e contorno. O aprofundamento do sulco lacrimal — a depressão entre a pálpebra inferior e a bochecha — cria uma sombra que dá a impressão de olheira escura. Esse tipo está relacionado à perda de gordura facial e remodelamento ósseo que ocorrem com o envelhecimento.
Pode aparecer precocemente em pessoas com estrutura óssea proeminente (olhos mais fundos) e se acentua progressivamente a partir dos 30-35 anos. É o tipo que menos responde a cremes e mais se beneficia de abordagens que restauram volume.
Olheira mista
Na prática clínica, muitos pacientes apresentam uma combinação de dois ou mais tipos. Uma paciente pode ter componente pigmentar e vascular simultaneamente, ou hiperpigmentação associada a perda de volume. A avaliação médica detalhada é essencial para identificar todos os componentes envolvidos e montar uma estratégia de tratamento combinada.
Tratamentos para olheiras
O tratamento eficaz das olheiras começa com o diagnóstico correto do tipo predominante. Não existe abordagem única que funcione para todos os casos. As principais opções incluem:
Para olheiras pigmentares
- Despigmentantes tópicos — formulações com ácido kójico, vitamina C estabilizada, arbutin, ácido tranexâmico tópico e retinoides. Devem ser prescritos por médico devido à sensibilidade da região.
- Peelings químicos específicos — peelings superficiais com ácidos suaves, realizados em consultório, ajudam a clarear o pigmento sem agredir a pele fina da região.
- Microagulhamento com drug delivery — associa estímulo de remodelação com entrega de ativos clareadores nas camadas mais profundas.
- Proteção solar rigorosa — essencial para evitar que a exposição UV deposite mais pigmento na região.
Para olheiras vasculares
- Laser vascular — tecnologias que atuam seletivamente nos vasos sanguíneos dilatados, reduzindo a coloração arroxeada.
- Carboxiterapia — injeção de gás carbônico medicinal que melhora a microcirculação local e a oxigenação tecidual.
- Ativos vasoconstritores tópicos — cosméticos com cafeína, vitamina K e extrato de arnica podem oferecer melhora parcial, especialmente em quadros leves.
- Controle de fatores agravantes — tratamento de rinite alérgica, melhora do padrão de sono e redução do uso excessivo de telas.
Para olheiras estruturais
- Preenchimento com ácido hialurônico — quando indicado, restaura o volume perdido no sulco lacrimal, suavizando a depressão e a sombra resultante. É um procedimento que exige experiência, pois a região é delicada e rica em vasos.
- Bioestimuladores de colágeno — em casos selecionados, podem ajudar a melhorar a qualidade da pele e o suporte tecidual da região periorbital.
- Skinbooster — hidratação profunda da derme que melhora a qualidade e luminosidade da pele fina sob os olhos.
Abordagem combinada
Como muitas olheiras são mistas, o melhor resultado geralmente vem da combinação de técnicas. Por exemplo: despigmentante tópico + laser vascular + preenchimento leve. A médica monta um protocolo personalizado após avaliação detalhada.
Cansada de olheiras que não melhoram?
Cada tipo de olheira pede uma abordagem diferente. Agende uma avaliação com a Dra. Maria Cecília Campedelli para identificar o seu tipo e descobrir o tratamento mais adequado.
Agendar pelo WhatsAppO que NÃO funciona para olheiras
É importante desmistificar alguns "truques caseiros" que circulam na internet:
- Rodelas de pepino — o frescor pode reduzir edema temporariamente, mas não trata nenhum tipo de olheira.
- Sachê de chá gelado — a cafeína tem leve efeito vasoconstritor, mas a melhora é mínima e passageira.
- Cremes milagrosos — nenhum cosmético elimina olheira estrutural (perda de volume). Cremes podem ajudar em olheiras pigmentares leves, mas expectativas devem ser realistas.
- Gelo direto na pele — pode causar queimadura na pele ultrafina da região periorbital. Nunca aplique gelo diretamente.
Cuidados diários para a região dos olhos
Independentemente do tipo de olheira, alguns hábitos ajudam a manter a região em melhor estado:
- Protetor solar específico para a área dos olhos — formulações mais leves, que não irritem a mucosa ocular.
- Óculos de sol com proteção UV ao se expor ao sol.
- Não coçar os olhos — o atrito crônico estimula a produção de melanina e piora olheiras pigmentares.
- Desmaquilar com delicadeza — usar demaquilante bifásico sem friccionar a pele.
- Dormir bem — 7 a 8 horas de sono de qualidade reduzem a congestão vascular periorbital.
- Hidratação — manter boa ingestão de água e usar hidratante específico para a região.
Perguntas frequentes sobre olheiras
Olheira tem cura?
Depende do tipo. Olheiras vasculares e pigmentares podem ser significativamente atenuadas com tratamento adequado. Olheiras estruturais podem ser melhoradas com preenchimento e técnicas de restauração de volume. O essencial é identificar o tipo correto para escolher a abordagem certa.
Cremes para olheiras funcionam?
Cosméticos com vitamina C, retinol, cafeína e ácido kójico podem ajudar em olheiras pigmentares leves e vasculares. Mas para resultados mais expressivos — especialmente em olheiras estruturais ou de longa data — procedimentos médicos são mais indicados. A médica de pele pode orientar a melhor combinação para cada caso.
Dormir mais resolve olheiras?
O sono adequado melhora olheiras vasculares, pois reduz a congestão dos vasos sanguíneos ao redor dos olhos. No entanto, olheiras pigmentares e estruturais não melhoram apenas com mudanças no sono — precisam de tratamento específico.
Olheira é hereditária?
Sim. A predisposição genética é o fator mais importante, especialmente para olheiras pigmentares e estruturais. Se seus pais ou avós têm olheiras marcadas, a tendência é que você também apresente. Isso não significa que não há o que fazer — mas sim que o tratamento deve ser contínuo e bem orientado.
Este conteúdo é informativo e educacional, elaborado pela Dra. Maria Cecília Campedelli (CRM-SP 59521), médica de pele. Não substitui a consulta médica presencial. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Conteúdo em conformidade com a Resolução CFM 2.336/2023.