← Blog

Botox no sorriso gengival: como funciona

Dra. Maria Cecília Campedelli · CRM-SP 59521 · Atualizado em 19/09/2026 · 9 min de leitura

Botox no sorriso gengival: como funciona

Quem chega ao consultório com queixa de sorriso gengival já tentou, em algum momento, sorrir com o lábio segurado. A pergunta que costuma vir junto é sempre a mesma: "dá para resolver com aplicação?". A resposta honesta depende de uma medida em milímetros e de três estruturas diferentes — músculo, osso e dente. A toxina botulínica só age sobre uma delas.

Este texto explica o que se mede na avaliação do sorriso gengival, por que a dose no lábio superior é uma fração da usada na testa, o que mais aparece no terço inferior do rosto e — o ponto que quase nenhuma página aborda — em quais situações a conduta correta não é aplicar, e sim encaminhar para avaliação odontológica antes de qualquer injeção.

O que é sorriso gengival e por que ele nem sempre é caso de injeção

Sorriso gengival é a exposição da gengiva acima dos dentes superiores durante o sorriso. Não é doença, não traz risco à saúde e não precisa ser tratado por si só. Vira queixa quando a pessoa se incomoda — e é essa a única indicação real do tratamento.

A referência mais usada na literatura considera exposição de até 2 mm como dentro da faixa comum, e classifica a partir daí:

Aqui começa a parte que muda a conduta. Esses milímetros de gengiva podem ter quatro origens diferentes, e apenas uma delas responde à toxina botulínica:

  1. Muscular — o lábio superior sobe mais do que a média porque os músculos elevadores são hipermóveis. É a causa que a toxina endereça.
  2. Óssea — excesso vertical da maxila: o osso é mais alto, o terço inferior do rosto é mais longo e a gengiva aparece mesmo com o lábio em movimento normal. A conduta é avaliação com cirurgia ortognática.
  3. Dentária ou gengival — a gengiva cobre parte da coroa do dente, que parece curta, ou houve extrusão dos incisivos. A conduta é odontológica.
  4. Lábio superior curto — o lábio simplesmente não tem comprimento suficiente para cobrir a gengiva, mesmo com mobilidade normal. Aqui a toxina tende a piorar a queixa, não a resolver.

Boa parte dos casos é mista: um pouco de hipermobilidade somada a um pouco de excesso ósseo, por exemplo. Nesses quadros a aplicação pode reduzir parte da exposição sem eliminá-la — e isso precisa estar claro antes da primeira agulha, não depois.

Elevador do lábio superior: o músculo que puxa o lábio além da conta

O lábio superior não é levantado por um músculo só. Três estruturas trabalham juntas e é a soma delas que define até onde o lábio sobe:

Os três se cruzam numa área pequena, de poucos milímetros, na lateral da asa do nariz. Existe ainda um quarto participante, o depressor do septo nasal, que pode ser abordado quando a ponta do nariz cai ao sorrir e o lábio encurta junto.

Essa sobreposição explica por que a classificação do sorriso gengival por região faz diferença na técnica. A literatura dermatológica descreve quatro apresentações, e cada uma pede pontos distintos:

A assimetria merece um parágrafo próprio: a maioria dos rostos sorri de forma assimétrica, e isso costuma passar despercebido até alguém olhar com atenção. Se a assimetria não for mapeada antes, uma dose igual dos dois lados pode transformar uma diferença que ninguém notava em uma diferença visível.

Causa muscular, óssea, dentária ou lábio curto: como se diferencia no exame

A diferenciação é clínica e feita com régua, não com aparelho. Cinco medidas resolvem a maioria dos casos:

O que se mede Faixa comum de referência Para que serve na decisão
Gengiva exposta no sorriso máximo Até 2 mm Define a intensidade da queixa e serve de parâmetro de reavaliação
Comprimento do lábio superior em repouso (base do nariz até a borda do lábio) Cerca de 20 a 24 mm no adulto Lábio abaixo dessa faixa sugere lábio curto, em que a toxina tem pouco a oferecer
Excursão do lábio superior (repouso até sorriso máximo) 6 a 8 mm Excursão bem acima disso caracteriza hipermobilidade — a causa muscular
Altura da coroa clínica dos incisivos centrais Cerca de 9 a 12 mm Coroa curta sugere que a gengiva cobre o dente: causa dentária ou gengival
Proporção do terço inferior do rosto Semelhante aos terços médio e superior Terço inferior alongado levanta a hipótese de excesso vertical de maxila

O cruzamento dessas medidas costuma apontar a conduta com clareza. Excursão acima de 8 mm, comprimento de lábio dentro da faixa, coroa clínica de tamanho normal e exposição de 2 a 4 mm formam o quadro em que a aplicação faz mais sentido. Exposição acima de 8 mm com terço inferior alongado e lábio de comprimento normal aponta para outra direção, e nenhuma dose de toxina resolve osso.

Um detalhe de execução que muda o resultado da medida: o sorriso avaliado precisa ser o espontâneo, não o sorriso posado para foto. O sorriso voluntário costuma recrutar menos os elevadores e subestima a exposição real. Por isso a avaliação inclui conversa, e não apenas o pedido de "sorria".

Milímetros de gengiva expostos: o que se mede na avaliação

Registrar o número em milímetros não é preciosismo. Ele cumpre três funções práticas:

  1. Define expectativa. Uma exposição de 3 mm de causa muscular tem margem de mudança diferente de uma exposição de 7 mm com componente ósseo. Falar em milímetros evita a conversa vaga sobre "melhorar o sorriso".
  2. Permite comparar a mesma coisa depois. Na reavaliação, a medida é refeita do mesmo jeito, com o mesmo tipo de sorriso, e a comparação passa a ser objetiva.
  3. Orienta a dose. Exposições menores pedem doses menores, e é isso que reduz o risco de efeito exagerado.

Também entram na avaliação a exposição dos incisivos em repouso, o padrão de contração ao redor da boca durante a fala e a presença de assimetria prévia. Alterações medicamentosas da gengiva são verificadas no mesmo momento: alguns anti-hipertensivos bloqueadores de canal de cálcio, imunossupressores e anticonvulsivantes podem causar aumento do volume gengival, e nesse caso o que se vê a mais no sorriso não é gengiva "normal" aparecendo — é gengiva alterada, que precisa de conduta específica.

Dose pequena em região móvel: por que a técnica pesa mais aqui que no terço superior

A comparação de dose ilustra melhor do que qualquer explicação. Uma aplicação clássica na região entre as sobrancelhas usa algo em torno de 20 a 25 unidades. O tratamento do sorriso gengival costuma ficar entre 2 e 6 unidades no total, distribuídas entre os dois lados — algo em torno de um décimo.

Cinco razões pelas quais a margem de erro é menor aqui:

Existe ainda a interação com preenchimento. Quem já tem volume no lábio superior parte de uma anatomia diferente, e a combinação das duas coisas exige planejamento — o que muda quando há preenchedor na região está descrito em preenchimento labial em Santos. O panorama de como os procedimentos do terço inferior conversam entre si está em harmonização facial em Santos.

Código de barras no lábio e queixo em casca de laranja: o restante do terço inferior

Quem procura avaliação por sorriso gengival costuma trazer, na mesma consulta, outras duas queixas da região. Vale entender o que cada uma envolve, porque os cuidados técnicos são diferentes:

Queixa Músculo alvo O que a toxina faz na região Principal cuidado técnico Retorno médio da contração
Sorriso gengival Levantadores do lábio superior e zigomático menor Reduz a força que eleva o lábio, diminuindo a exposição de gengiva Manter-se medial ao zigomático maior; dose de 1 a 3 unidades por lado 3 a 4 meses
Código de barras (rugas verticais do lábio) Orbicular da boca Reduz a contração que dobra a pele na borda do lábio; age sobre o componente dinâmico Aplicação superficial e simétrica, 1 a 2 unidades por quadrante; evitar excesso no lábio inferior 3 a 4 meses
Queixo em casca de laranja Mentual Reduz a contração que enruga a pele do queixo em pequenos sulcos Aplicar na ponta do queixo, abaixo do sulco entre lábio e mento, para não atingir o abaixador do lábio inferior 4 a 6 meses
Cantos da boca voltados para baixo Abaixador do ângulo da boca Reduz a tração que puxa o canto da boca para baixo Ponto lateral, próximo à borda da mandíbula, longe do abaixador do lábio inferior 3 a 4 meses

Três observações que fazem diferença na prática:

Quando a conduta é encaminhar para avaliação odontológica antes de aplicar

Este é o ponto que mais falta nas páginas sobre o assunto. Existem situações em que aplicar toxina no lábio superior é, na melhor das hipóteses, gastar uma sessão sem endereçar a causa. As mais frequentes:

  1. Coroa clínica curta. Quando o dente parece pequeno e a gengiva cobre parte dele, o problema não é o lábio subir demais — é o dente aparecer de menos. A conduta passa por avaliação odontológica.
  2. Aumento de volume gengival. Inflamação gengival, doença periodontal ou crescimento gengival associado a medicamentos precisam ser tratados antes de qualquer decisão estética.
  3. Extrusão dos incisivos superiores. Dentes da frente posicionados mais para baixo do que deveriam expõem gengiva por posição dentária, e o caminho é ortodôntico.
  4. Excesso vertical de maxila. Terço inferior alongado, exposição acentuada mesmo com lábio de comprimento e mobilidade normais, muitas vezes com dificuldade de manter os lábios fechados em repouso. A avaliação indicada é de cirurgia ortognática.
  5. Tratamento ortodôntico em andamento. A posição dos dentes e o próprio sorriso mudam ao longo do tratamento. Medir e planejar em cima de uma anatomia que está se movendo produz um plano que envelhece em poucos meses.
  6. Reabilitação protética planejada. Se há prótese ou restauração prevista para os dentes anteriores, o desenho do sorriso vai mudar. A ordem correta é resolver a estrutura antes de ajustar a musculatura.

Encaminhar não é recusar atendimento. Em muitos casos, a conduta final combina as duas coisas — o cirurgião-dentista resolve o componente dentário ou gengival e, depois, a parte muscular residual é reavaliada. O que não funciona é inverter a ordem.

A consulta com a médica de pele no Gonzaga: fala, sorriso e mastigação

A avaliação do terço inferior não se resume a olhar o rosto parado. Ela precisa observar a região em uso:

Entram também na anamnese o histórico de aplicações anteriores — quando, em que região, com que intervalo e se houve algum efeito indesejado —, preenchimentos prévios, tratamento ortodôntico atual ou passado e medicamentos em uso. Gestação e amamentação, doenças neuromusculares, infecção ativa no local da aplicação e alergia conhecida a componentes da formulação são situações em que o procedimento não é realizado.

Vale procurar avaliação quando a exposição gengival incomoda a ponto de mudar a forma de sorrir em fotos e conversas, quando houve assimetria ou dificuldade funcional depois de uma aplicação anterior, ou simplesmente quando existe dúvida sobre qual das quatro causas explica o caso — que é a pergunta que mais economiza tempo e sessão. O que a consulta com a médica de pele em Santos inclui e como funciona o agendamento está descrito em detalhe nessa página, e o panorama geral da toxina botulínica, incluindo as demais regiões do rosto, em toxina botulínica em Santos.

A Campedelli Dermatologia atende na Av. Ana Costa 493, Cj 85, Gonzaga, Santos-SP, com a Dra. Maria Cecília Justo Nascimento Campedelli, CRM-SP 59521. Agendamento pelo WhatsApp (13) 99708-2585. Valores e conduta são definidos apenas em avaliação presencial, porque dependem das medidas descritas acima.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. A indicação, a técnica e a dose dependem de avaliação presencial individualizada.

Perguntas frequentes

Sorriso gengival tem solução definitiva com toxina?

Não. A toxina botulínica reduz temporariamente a força dos músculos que elevam o lábio superior, e a contração retorna em média entre 3 e 4 meses nessa região. Não é um tratamento definitivo, e só age sobre a causa muscular: quando a exposição de gengiva vem de excesso vertical da maxila, de coroa dentária curta ou de lábio superior curto, o efeito é parcial ou nulo. A definição do que se pode esperar depende das medidas feitas em avaliação presencial.

Como saber se o meu caso é muscular ou dentário?

A diferença aparece em medidas simples feitas com régua na consulta. A causa muscular se caracteriza por excursão do lábio superior bem acima da faixa habitual de 6 a 8 mm entre o repouso e o sorriso máximo, com comprimento de lábio e altura de coroa dentária dentro do normal. A causa dentária ou gengival se caracteriza por coroa clínica curta, abaixo da faixa de cerca de 9 a 12 mm, indicando que a gengiva cobre parte do dente. Terço inferior do rosto alongado com exposição acentuada aponta para componente ósseo. Muitos casos são mistos, e é por isso que a avaliação precede qualquer aplicação.

A aplicação no lábio superior atrapalha falar ou beber líquido?

Pode acontecer, e é justamente por isso que a dose nessa região é pequena, entre 1 e 3 unidades por lado, contra 20 a 25 unidades usadas na região entre as sobrancelhas. Quando há dose excessiva ou difusão além do alvo, é possível notar dificuldade para articular sons que dependem do fechamento dos lábios, como P, B e M, sensação de lábio pesado ou dificuldade de beber em canudo. São efeitos temporários, mas devem ser evitados com técnica e dose conservadoras. Quem canta, toca instrumento de sopro ou fala em público por longos períodos deve informar isso na avaliação.

Dá para tratar sorriso gengival e código de barras na mesma sessão?

Em geral sim, quando as duas queixas existem e a avaliação indica as duas condutas. As regiões são vizinhas mas os alvos são diferentes: o sorriso gengival envolve os músculos que elevam o lábio superior, e o código de barras envolve o músculo orbicular da boca. O cuidado está na soma das doses, já que as duas áreas usam quantidades pequenas e o excesso combinado é o que gera queixa funcional na fala. A decisão de tratar junto ou separar em duas etapas depende da anatomia e do histórico de cada pessoa.

Quem usa aparelho ortodôntico pode fazer?

O aparelho em si não impede a aplicação, mas o momento importa. Durante o tratamento ortodôntico ativo, a posição dos dentes e o desenho do sorriso ainda estão mudando, e medir a exposição gengival nessa fase significa planejar sobre uma anatomia em movimento. Quando parte da exposição vem de extrusão dos incisivos, a própria ortodontia pode alterar o quadro. Nesses casos, a conduta costuma ser alinhar a decisão com o cirurgião-dentista responsável e reavaliar a musculatura depois que a posição dentária estiver estável.